A B U S C A
V e r a R e g i
n a G a e t a n i
Fui
como a flor que vingou
por acaso.
Como o acaso não existe,
não tinha razão de ser.
Fui como a gota de orvalho
sem planta para orvalhar.
Diluí-me pela terra, orvalhando
não sabia o quê.
Fui a rosa fecundada,
gerando tantas outras,
querendo formar jardim.
Mas à medida em que elas
cresciam, lá se iam
e se afastavam de mim.
Fui como o raio de sol
tentando aquecer alguém.
Mas as nuvens zombeteiras,
brincando de
esconde-esconde, me impediram
isso também.
Cansada de procurar, exausta
de não encontrar
quem acreditasse em mim,
fui aos poucos me calando,
cada vez mais me afastando
do vozerio aí de fora.
Palavras fúteis, inúteis
ao meu momento de agora.
E no profundo silêncio
do meu "eu", de repente
fui achar tudo aquilo
que era meu.
Estava lá meu jardim com
todas aquelas flores
que um dia germinei, umidecidas
de amores do
orvalho que esparramei.
O raio de sol brilhava
com tamanha intensidade
que quase me cegava, tão
grande sua claridade.
E num ato de coragem,
nunca antes tido então,
desnudei-me de meus rótulos,
bengalas joguei ao chão.
Escancarei as janelas,
vislumbrando diante
delas a conquista do sem
fim!
O infinito... a eternidade...
e meu Deus dentro de mim.
©Vera
Regina Gaetani
Direitos
Autorais Protegidos
| | |
Visite
o Site da Autora
Sempre que copiar,
copie com Amor.
Preserve o nome do Autor.
Imagens
©Luvdalot Graphics & Design, 2003-2005
| |
| | | |