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As Flores Que
Eu Não Plantei
S í l v i a S c h m i d t

Venho, Senhor, ao Teu Jardim para reaprender a plantar.
Um dia me ensinaste que todas as boas sementes germinam
e me deste a terra do meu coração para bom plantio,
recomendando-me atenção para o livre arbítrio.
Senhor, não tive generosidade suficiente para com
meu semelhante e hoje, quando necessito da
generosidade de outrem, dificilmente eu a encontro.
Não tenho colhido a flor da generosidade
porque não a plantei.
Senhor, não dei à Natureza todo o respeito que ela, como
obra Tua, merecia ter recebido de mim. Fui negligente, Senhor.
Agora, o ar que eu respiro não é tão puro quanto
deveria
ser para que minha saúde não fosse tão ameaçada.
Não tenho colhido a flor da perfeita
saúde porque não a plantei.
Senhor, disseste-me que a felicidade sempre estaria em minha
Vida se eu me lembrasse de levar felicidade àqueles
que choravam e que não tinham um ombro onde se debruçar.
Não tenho colhido a flor da Felicidade
Plena porque não a plantei.
Senhor, não levei a sério quando me revelaste que o preconceito
era uma erva daninha que, pouco a pouco, mataria o meu jardim.
Não olhei sem julgamento para os diferentes de mim,
não observei todos os seres e tudo o mais que criaste
sem sentir-me maior e melhor do que eles.
Não tenho colhido a flor do Amor Incondicional
porque não a plantei.
Senhor, agora venho ao Teu Jardim, buscando ter
uma
e, talvez, a última chance de reencontrar as sementes
que desejaste ver germinadas em meu coração.
Não sei se vês em minha visita algum sinal de humildade.
Já muito agi com
orgulho e não tenho colhido
a flor da humildade porque não a plantei.
Aceita, Senhor, esta minha vinda, e dá-me o perdão,
o mesmo perdão que a tantos e tantos eu neguei.
Achas que ainda mereço a Tua bênção, Senhor?
Se não me deres o que peço, eu compreenderei.
Não
tenho colhido a flor do merecimento porque não a plantei.
Acolherei a Tua decisão, Senhor, seja ela qual for,
e se não for aquela que espero eu entenderei.
Não tenho colhido a flor do perdão
porque não a plantei.
 
S í l v i a S c h m i d t
São Paulo/SP - julho de 2006 -
Direitos Autorais Protegidos
Copyright ©2006
Edição
Musical desta página: Richard Marshal
Versão em
Espanhol
por
E d u a r d o e I r a n y L e c e a
CIMEXBRA
- Consultoria Internacional México-Brasil
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