C i ú
m e
(O
Bicho Que Não Dorme)
S
í l v i a S c h m i d
t
Se
você não é uma
pessoa ciumenta, mas às vezes
até gostaria de ser, veja o
que é necessário para
isso:
Para ser ciumento
é preciso que você ache que
você é apenas e tão
somente uma "pessoinha".
Ao olhar-se no espelho você não poderá
enxergar o que
há de belo em si. Deverá sentir-se
nada inteligente,
bem pouco interessante e a sua auto-estima
terá
que estar pra lá de péssima.
A pessoa objeto
do seu ciúme sempre será olhada
por você de baixo para cima. Ela deverá
parecer-lhe
que está além, muito além
do que você merece.
Será necessário que você se
veja bem pequeno,
tão pequeno a ponto de ser esmagado
pela certeza
de que qualquer alguém pode ser melhor
do que você.
Suas horas de
sono deverão ser pouco recuperadoras
e
cheia de pesadelos, onde o alvo do
seu ciúme sempre trai você.
Você não poderá preocupar-se com as
altas taxas de telefonia,
já que todo o tempo você terá que
saber onde
está aquele que você desejará
ter sob seu controle.
Você escolherá
passar dia após dia como aquele cão
que
não larga o osso, nem que para isso
tenha que agredir,
ser agredido, ridicularizado, cômico
e cansativo.
A carência afetiva, os complexos de
rejeição e de
inferioridade deverão ser seus traços
mais marcantes.
Você não
terá a mínima noção
do que seja Amor,
mas terá que ser um 'especialista'
em egoísmo e apego.
A liberdade e o respeito pela intimidade
e privacidade
do outro não terão a mínima
importância para você,
já que o ciúme fará de você
um escravo, bem como
daquele que aceitar viver sob sua
vigilância.
Enquanto tudo
isso for "rolando", você não perceberá
que o alvo do seu ciúme está lá fora.
Lá
fora de você!
Não há
como mudar isso.
Será que vale a pena ser uma pessoa
ciumenta
e deixar que a vida do seu relacionamento
seja
esgotada pelas mordidas vampirescas
do ciúme?
O ciúme é um
traiçoeiro caminho para a solidão,
para o desprezo, para a indiferença,
para o abandono,
para o desdém. Escolha por onde você
prefere ir.
Como
bem diz o refrão, "ninguém é de ninguém".

S
í l v i a S c h m i d
t
SP/SP
- 27 de dezembro de 2005 -
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O
Amor respeita a Liberdade.
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