
Florzinhas
de Cor Lilás
(
u m m e r
o d e t a
l h e )
S
í l v i a
S c h m i
d t
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O tédio se cansou de mim. Entediou-se
e foi embora.
Cansou-se de me ver sempre tão
bem e feliz,
dentro de uma casa que reune
todos os quesitos
necessários para ser rotulada
de "entediante".
A posição dos móveis não é trocada
há anos.
Estão sempre bem limpinhos
e sem poeira.
As gavetas, os armários, a escrivaninha,
todos os
cômodos e estantes tão bem organizados
que,
mesmo na mais profunda escuridão,
sou capaz de
encontrar o que eu quiser, com
os passos certos
e as pontas dos dedos.
Há no banheiro sempre aquele
cheirinho de hortelã fresca.
Na garagem fica um carro nem
um pouco novo, mas
sempre tão bem tratado, que
nem parece ser velho.
Não tenho um jardim nem sinto
cheiro de terra úmida.
Meu quintal tem piso de cerâmica,
e a sombra dos
varais é seu único desenho.
Há quem pense que tudo é frio
e sem graça aqui onde moro.
Afinal, é um lugar - aparentemente
- nada interessante.
Mas isso é só para quem o interpreta
de fora.
Lá na parede dos fundos faz
anos que nasce do espaço
entre dois tijolos uma pequenina
planta que me dá
florzinhas de cor lilás. Elas
fazem toda a diferença.
Elas me ensinam a existir, a
simplesmente existir.
E
isso é Paz.
S
í l v i a S c h
m i d t
São
Paulo/SP - abril de 2006 -
Direitos Autorais Protegidos
Copyright ©2006
Edição
Musical: Udo Erwin Franz
"Disse
Göethe que o diabo mora
nos detalhes.
Eu descobri que nos detalhes
mora Deus."
(Silvia Schmidt)

Sempre
que copiar, copie com Amor.
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