Emoções
e Sentimentos
(um
monólogo sobre as diferenças
entre eles)
S
í l v i a S c h m i d t

Você pensa que
emoções e sentimentos são
sinônimos?
Há um bom tempo eu pensava que eles
fossem
a mesma coisa com nomes diferentes.
Então, sem nenhuma pretensão que não a de
buscar as
possíveis diferenças, comecei a prestar
mais atenção nisso.
Observei que certas
sensações eram boas em
determinadas passagens e outras não eram,
provocando
um profundo incômodo no peito, um peso na cabeça, uma
"carga"
que passava do meu "limite de transporte".
Fui mais fundo e finalmente descobri que as
emoções é que
têm esse peso excessivo e que os sentimentos
não pesam.
Ao contrário, eles são de uma leveza tal,
que podem
levar-nos a um estado de êxtase, que nos abre
o peito
num longo suspiro, trazendo alívio às nossas
tensões.
Se
você quiser também sentir essa diferença, observe:
- quando é Amor o que você sente - não importa
por quem
ou pelo quê - a sensação é tão agradável,
que você não
sente o mínimo desejo de se livrar dela.
O Amor é sentimento. Sentimento faz bem.
- quando é ódio, você
pode notar que é como se o seu peito se
fechasse, o ar parece ser insuficiente para
sua oxigenação.
A respiração fica ofegante e curta. É uma
sensação horrível.
O ódio é emoção. Emoção faz mal.
É comum confundirmos pessoas sentimentais
com pessoas
emotivas e pensamos que é a mesma coisa, mas
não é:
a pessoa sentimental não sofre, mas a emotiva
sim.
Emocionar-se é "doer-se".
Emoção é ruído. Sentimento é silêncio.
Certa vez um amigo me disse:
"Já pensou se todas
as pessoas do mundo ficassem
apaixonadas ao mesmo tempo? O mundo viraria
um caos,
pois a paixão nos torna cegos para a ordem
e para a organização inteligente das coisas".
Ele estava certo. A
paixão é emoção e, só por isso,
faz tanto estardalhaço, tanto estrago no continuar
das coisas.
Há quem mate "em nome do Amor",
mas há um engano:
a paixão pode fazer matar, mas o Amor
não.
Há um incontável número de coisas que sentimos
e
que são confundidas, ora com sentimento, ora
com emoção.
São emoções: o já citado
ódio, a inveja, o ciúme, a sede de
vingança, o desejo de punir, o ressentimento,
a culpa, a mágoa,
a raiva, o fanatismo de qualquer natureza,
e por aí a fora.
Você notou como tudo isso é denso, pesado,
sufocante?
As emoções nos prendem, os sentimentos
nos libertam.
Não há necessidade de
eu listar o que são sentimentos,
pois você - com certeza - já percebeu
que eles são
exatamente tudo que é o oposto dos
listados acima.
Faça você mesmo uma lista dos opostos
e depois
note quanto bem-estar você sente ao
evocá-los.
Não é só uma sensação de bem-estar espiritual,
mas físico também. Você sente seu corpo
mais leve.
Dê-se o prazer de sentir essa diferença.
Se este monólogo
relativamente longo cansou você,
esse é um sinal de que você vive mais
pelas emoções.
Se você parou um pouco e se deixou absorver,
é o bom sinal de que você vive mais
pelos sentimentos.
Sabe o que faz a diferença neste caso?
Quem vive de emoções é ansioso e apressado,
mas
quem vive de sentimentos já sabe - intuitivamente
-
que a pressa lhe rouba o prazer de viver por
inteiro
cada pedacinho de cada momento.
É
no clamor das emoções que se
fazem as guerras.
É no calor dos sentimentos que se faz
a Paz.
Dia chegará em que nos
libertaremos das garras das emoções
e, a partir desse dia, voaremos livres nos
Céus dos Sentimentos.
Que
assim seja! Nós merecemos! Assim será!
S
í l v i a S c h m i d t
São Paulo/SP - 21
de março de 2006 -
Direitos Autorais Protegidos
Copyright©2006
Edição
Musical : Udo Erwin Franz
"Não
confunda os sentimentalistas com os sentimentais:
os sentimentalistas berram, os sentimentais
sussurram."
( S í l v i a S c h m i d t )

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