Será
que tu conseguirias vir,
Homem estranho, sabe lá de
onde,
Para arrancar de mim o que se esconde,
Para levar-me aonde eu quero ir?
Pouca certeza existe do desejo
Que sentirias vendo-me cansada,
Tão sem tintura e tão
descabelada,
Não provocando o impulso do
teu beijo.
Nunca parei para pensar no rosto
Que tens acima do teu coração.
Mas não importa, o que me importa
é o gosto
Que sentirias ao beijar-me a mão,
De olhos fechados e o desejo posto
No que há de belo e escapa
da visão.

S
i l v i a S c h m i d t
Poesia copiada do
livro "Poesia, Melhor Não
Ler"
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