O P o e t a
e a C o e r ê
n c i a
S
i l v i a S c h m i d t
De um
poeta não esperes coerência:
ele pode ser feliz enquanto chora,
e ser um lobo em pele de inocência,
e ir ficando quando fala de ir embora.
De um poeta não esperes coerência:
ele pode nunca estar lá onde mora,
pode o mundo ser a sua residência,
sem nada ter com coisas lá de
fora.
De um poeta é muito bom nada esperar,
porque nem sabe ele o que te dar,
porque não cabe nele a tua carência.
Um leve aceno pode ser de adeus.
Sempre andará contrário
aos passos teus.
De um poeta não esperes coerência!

S
i l v i a S c h m i d t
São
Paulo / SP - setembro de 2008 -
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Seq
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