
Quem
já
não
sentiu vontade
de tirar
um dia inteiro
só
para dormir?
Mas existem
compromissos
esperando.
A
gente pode
tirar esse
dia, mas
não
deve.
A gente
pode largar
o borburinho
da cidade,
ir para
a praia,
para o campo
em dia útil,
sem dar
satisfações
a ninguém.
A
gente pode,
mas não
deve.
A gente
pode ficar
uma semana
longe da
escola
e só
"curtindo"
histórias
em quadrinhos.
A
gente pode,
mas não
deve.
Há
filhos chamando,
temos que
atendê-los.
Muitas vezes
a gente
pode deixar
de atender.
A
gente pode,
mas não
deve.
Há
os pais
desejando
de nós
um "melhor"
desempenho.
A gente
pode ignorar
exigências
maternas
ou paternas.
A
gente pode,
mas não
deve.
O amor acena,
o coração
escolhe
a quem amar,
mas nós
o ignoramos
- tantas
vezes! -
temendo
não
ser a pessoa
"certa".
A gente
poderia
arriscar
... quem
sabe? ...
a gente
pode.
A
gente pode,
mas não
deve.
A sociedade
espera que
sigamos
o modelo
chamado
"normal".
A gente
pode escapar
dos padrões
sociais,
dos ditames
da moda
e da "moral"
social.
A
gente pode,
mas não
deve.
Há
cartas chegando,
há
telefonemas
urgentes,
há
e-mails
chamando.
A gente
corre para
responder,
para providenciar,
para atender.
A gente
pode desligar
o telefone,
pode não
ligar o
computador.
A
gente pode,
mas não
deve.
Desde o
despertar
e até
a hora de
dormir outra
vez
a gente
corre, a
gente cansa,
a gente
não
descansa!
O despertador
toca de
novo e tudo
poderia
ser mudado,
movido pela
vontade,
pela entrega
ao fluxo
natural
da vida.
Mas
e o controle?
A tudo queremos
controlar
e, por todos
e por tudo,
nós
nos deixamos
ser controlados.
É
o medo no
comando!
E a vida
continua
... sem
cara de
vida ...
Permanecemos
enganados
por nós
próprios.
A gente
quer e sabe
que pode
mudar quase
tudo.
A
gente pode,
mas não
deve.
Até
que chega
o dia que
nos pega
distraídos,
e os nossos
olhos interiores
finalmente
se abrem!
Eles vêem
o quanto
perdemos
de nós
e do tempo.
Eles
vêem
o quanto
já
nos roubamos!
Geralmente
chega esse
dia quando
já
nos resta
só
um corpo
velho, doente
de tristeza,
de frustração,
dependente,
sem forças
para avançar.
E nele está
nosso espírito
enfermo,
desejando
se libertar
de tão
obscura,
antiga e
fria prisão.
Queremos
voltar no
tempo, fazer
tudo que
de fato
desejávamos
fazer e
que não
fizemos.
Sentimos
que é
necessário
fazer a
grande virada!
Aí
a gente
assume que
deve fazer.
Deve
... mas
já
não
pode!