T
é d i o e B o
c e j o
S i l v i a S c h m i d t
 
Se eu te contasse como sinto o vento
não saberias como interpretar-me,
não me darias teu acolhimento,
talvez chegasses a querer calar-me.
Se eu te falasse do que experimento
quando uma ave - em vôo - vem chamar-me,
não sentirias todo o apressamento
que nessa hora vem atordoar-me.
Posso entender o que te vai na mente,
porque não vês as coisas
como eu vejo,
porque és de mim alguém
tão diferente!
E só por isso eu calo e me
protejo
de ser ferida quase mortalmente
pelo teu tédio e pelo teu
bocejo.

S i l v i a S c h m i d t
São
Paulo / SP - outubro de 2008
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