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d
t
 
Quero
sair
dirigindo
por
ai,
sem
hora
para
voltar,
sem
prestar
atenção
no
tempo,
no
que
chamam
de
solidão
e
nos
pensamentos
amedrontadores
ligados
ao
futuro.
Quero
chegar
à
estrada
que
me
leva
para
mais
perto
do
mar,
ir
olhando
"olhos
de
gato"
no
asfalto,
perceber
os
faróis
furando
a
neblina,
observar
um
cão
que
passa
correndo,
olhar
as
placas
que
indicam
que
estou
mais
e
mais
perto
da
areia
branca,
morna
e
macia,
onde
andarei
de
pés
descalços,
cabelos
e
vestes
ao
vento.
Quero
chegar
antes
que
amanheça,
ouvir
o
som
das
ondas,
sentir
o
cheiro
da
maresia,
ver
as
últimas
estrelas
que
flertam
com
o
mar.
Verei
o
céu
saindo
do
negror
profundo
para
um
cinza
decrescente,
clareando,
clareando
e
se
misturando
ao
azul
que
começará
a
se
impor.
Sentirei
a
garoa
fresca
e
fina
que
descerá
da
alvorada
para
os
meus
cabelos,
ombros
e
braços.
Minhas
vestes
ficarão
úmidas
e
eu
sentirei
com
prazer
os
arrepiozinhos
de
frio.
Ao
longe
perceberei
uma
porta
e
uma
fumacinha
de
café.
Para
lá
eu
irei,
sentirei
o
cheiro
do
líquido
fresco
que
me
aquecerá
e
me
trará
o
prazer
que
me
darei
com
o
primeiro
cigarro
do
Novo
Dia.
Sairei
caminhando
para
a
praia
-
outra
vez
-
e
lá
me
deitarei,
exposta
ao
sol
quentinho
e
carinhoso
como
aquele
homem
que
jamais
conheci.

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Extraído
do
livro
"Poesia,
Melhor
Não
Ler"
Direitos
Autorais
Protegidos
Copyright
©1999

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